Mal, incorruptibilidade e privação - Feat Santo Agostinho
Mal,
incorruptibilidade e privação em Santo Agostinho
Aluno: Eduardo de Souza Paiva
Ao longo do semestre, com o auxílio dos livros, artigos e
explicações detalhadas do professor consegui entender a real importância do
período medieval, onde não podemos negar que coisas ruins aconteceram, mas nem
tudo foi trevas, nesse período foram criadas as primeiras universidades e passou
a usar filosofia para tratar de assuntos teológicos dentro da igreja católica. Dividido em dois períodos, a Patrística
(Pensamentos dos Padres da Igreja) e a Escolástica (Pensamentos elaborados nas universidades), que tem em comum a construção de um pensamento filosófico para
explicar as questões dos propósitos de Deus e a liberdade dos seres humanos
como podemos ver na obra Filosofia Medieval – Uma breve Introdução.
“Confesso que tenho serias dificuldades em
rotular como sendo um período de trevas uma época em que, inegavelmente, houve
um grande cuidado com a elaboração de um pensamento rigoroso e bem
fundamentado; um período em que podemos ver a beleza e a engenhosidade
arquitetônica das grandes catedrais; um período em que foram compostas obras de
grande significado filosófico, teológico e literário.”
(Manoel, p.10)
Minha proposta de dissertação será sobre Santo Agostinho,
pretendo falar sobre a questão do mal, incorruptibilidade e sobre a privação.
Primeiro entrarei na questão do mal que é nada mais do que a falta de bondade
onde ela deveria estar, ou seja, a falta de medida, de forma ou de ordem.
Dentro dessa categoria podemos entender o mal com mais de uma concepção, 1- Mal
moral: Pecado onde o responsável é o próprio indivíduo. 2- Mal Físico: exemplo
o leão que come o asno, que é algo natural dos animais não dotados do
intelecto. 3- Privação: Um ser humano que nasce com quatro dedos, portando
privado de alguma de suas propriedades. Sendo assim, para entender melhor o
incorruptível devemos primeiro olhar para o corruptível, nós seres humanos, as
criaturas, para só assim poder entender os problemas e através do raciocínio
lógico pode responder esses questionamentos como foi feito por Santo Agostinho.
Na Introdução – O problema do mal (p.25,) surge os questionamentos de Evódio
relacionados ao mesmo assunto, e me proponho trazer um apanhado das perguntas e
respostas desse fragmento para poder trazer materialidade e deixar claro de
onde foi tirado tais teses. A primeira pergunta lançada é se Deus é autor do
mal seja ele praticado por alguém ou sofrido, onde Agostinho responde que se
acredita que Deus é bom, ele não pode praticar o mal, A recompensa é concebida
aos bons e castigos aos ruins, é apenas uma questão de justiça onde ele não é
autor do primeiro gênero de mal, mas somente do segundo. Sendo assim fica claro
que nós seres humanos somos corruptíveis e que Deus por não estar situado
dentro do nosso conceito de tempo, espaço e matéria não pode ser categorizado
da mesma forma que nós costumamos fazer, pois ele é eterno e incorruptível. Na
obra Confissões o autor explica que nem por necessidade, nem por nenhum outro
acontecimento a corrupção pode causar danos a Deus.
“...porque ele é Deus, e não pode
querer senão o que é bom, e ele próprio é o sumo bem, e estar sujeito a
corrupção não é nenhum bem...pois a vontade e o poder de Deus são o mesmo.”
(Agostinho, VII.4.p.190)
Alguns capítulos adiante ainda no livro sétimo ele traz
uma explicação bem fundamentada do “Mal e o bem da criação”, onde explica que
também são boas as coisas que se corrompem, e se todas as coisas fossem
sumamente boas, não poderiam se corromper, que tudo tem pelo menos um quinhão
de bondade. A corrupção é nociva e diminui o que é bom privando assim de algum
bem. Se algo for privado de todo bem poderá se reduzir a nada.
Portanto, tudo o que existe é bom;
e o mal, cuja origem eu procurava, não é uma substância, porque se fosse seria
um bem. Ou ele seria uma substância incorruptível, e, consequentemente, um
grande bem; ou seria uma substância incorruptível, que não se poderia corromper
se não fosse boa.”
(Agostinho, VII.12.P.202)
Bibliografia:
VASCONCELLOS, Manoel, Filosofia Medieval – Uma breve
introdução, UFPEL, 2014
HIPONA, Agostinho, Confissões, Ed. Nova Fronteira, 2017
HIPONA, Agostinho, O problema do mal, Introdução, 1.1-2,5
Comentários
Postar um comentário