VERDADE, CAUSA E MOVIMENTO - Feat Thomas Hobbes
VERDADE,
CAUSA E MOVIMENTO
Eduardo de
Souza Paiva
INTRODUÇÃO:
De acordo
com o estudo de algumas obras, juntamente com explicitações da professora
Patricia ao longo das aulas, sempre trazendo um melhor entendimento. O núcleo
da Filosofia de Thomas Hobbes é baseado no acidente (movimento) e o conceito de
verdade para o autor encontra-se na proposição. Sobrepondo de forma crítica aos
filósofos Tomistas, que fundamentaram a partir das obras de Aristóteles o
conceito de verdade por adequação.
Não penseis. Amável leitor, que a
Filosofia cujo elementos vou apresentar seja aquela que produz pedras
filosofais, nem a que se encontra nos códices metafísicos. Ela é sim, aquela
que constitui a razão natural do homem, percorrendo diligentemente de alto a
baixo as criaturas e retornando com um relato verídico de sua ordem, causas e
efeitos.
(Hobbes, 2005, I, p.5)
Busca por
semear e cultivar a Filosofia, pois todos os homens são capazes de raciocinar
pelo menos um pouco, e se desviam do caminho por opiniões erradas e falta de
método. É de extrema necessidade renunciar a agentes invisíveis pois, onde não
há geração ou propriedade não há filosofia.
Da mesma maneira, todo homem
trouxe consigo ao mundo a Filosofia, isto é, a razão natural, pois todos os
homens são capazes de raciocinar, em algum grau, e acerca de algumas coisas,
mas quando há necessidade de uma longa série de razões, a maior parte dos
homens desvia-se do caminho, e cai em erro por falta de método, como que por
falta da semeadura e do plantio, isto é, do aperfeiçoamento de sua razão.
(Hobbes, 2005, I, p.7)
A prudência
não pode ser considerada Filosofia, mas sim expectativa das coisas que já
vivemos, e a experiência é a memória. Já o raciocínio coleta a soma de muitas
coisas (somar e subtrair), mas esse raciocínio não ocorre apenas em relação a
números. (computar, raciocinar, calcular).
A Filosofia é o conhecimento dos
efeitos ou aparências que adquirimos raciocinando corretamente a partir do
conhecimento que temos inicialmente de suas causas e geração; bem como [o
conhecimento] de quais podem ser essas causas ou gerações, a partir dos
conhecimentos de seus efeitos.
(Hobbes, 2005, I, p.8)
O objetivo
da Filosofia é que possamos fazer uso dos efeitos previamente observados, aplicando
os corpos uns aos outros, para oferecer efeitos parecidos com aqueles da nossa
mente, para domínio de um assunto obscuro e melhores formas de permitir
comodidades para nossa vida.
Podemos compreender melhor qual é
a utilidade da Filosofia, especialmente a da filosofia natural e da geometria,
levando em conta as principais comodidades que a humanidade pode dispor, e
comparando o modo de vida dos que delas desfrutaram com o de outros as quais
elas faltam.
(Hobbes, 2005, I, p.11)
O assunto da
Filosofia é comparar de algo que foi gerado com outros corpos obtendo algum
tipo de conhecimento, se tiver propriedades ou geração, excluindo a Teologia (Teoria
de Deus) pois não há nada para dividir ou compor.
(Hobbes, 2005, I, p.13) “E
isso pode ser deduzido da definição de filosofia, cuja ocupação é investigar as
propriedades dos corpos a partir da sua geração, ou sua geração a partir de
suas propriedades; portanto, onde não houver geração ou propriedade, não há
filosofia.”
Verdadeiro
ou falso pertencem à proposição não as coisas, as primeiras verdades foram estabelecidas
arbitrariamente pelos que atribuíram primeiro o nome das coisas. Além disso
existem vários tipos de falas, como interrogações, que nada mais é do que o
desejo se saber algo, preces como desejo de obter algo e as promessas, ameaças,
ordens e queixas. Proposição é uma fala que tem dois nomes conectados onde o
que fala significa que gera o último nome, nomeando a mesma coisa nomeada pelo
primeiro, e signos são marcas antecedentes de algo que está por vir.
Um nome é uma palavra tomada
arbitrariamente para servir como uma marca que pode trazer à nossa mente um
pensamento semelhante a um pensamento que tivemos antes, e que, sendo
pronunciado a outros, pode ser para eles um signo de qual pensamento o falante tinha,
ou não tinha, em mente.
(Hobbes, 2005, II, p.16)
(Hobbes, 2005, II, p.15) “Esses
mementos denomino marcas, e que constitui em coisas sensíveis escolhidos
arbitrariamente, cuja percepção permite trazer a nossa mente pensamentos
semelhantes aos pensamentos pelos quais as tomamos.”
Hobbes (2005, III, p.26) “Uma
proposição é uma fala que consiste em dois nomes acoplados, por meio da qual
aquele que fala significa que concebe o último nome como nomeando a mesma coisa
nomeada pelo primeiro, ou que o primeiro nome está compreendido no último.”
Hobbes (2005, III, p.30) “A
partir disso, fica evidente que a verdade e a falsidade não têm lugar senão
entre aquelas criaturas que usam a fala.”
Hobbes (2005, III, p.31)
“Disso também pode se deduzir que as primeiras verdades foram estabelecidas
arbitrariamente pelos que primeiro atribuíram nome as coisas.”
Nomes são
conversões, o sujeito e o predicado estão na proposição, o agente e paciente na
causa. A nova ciência experimental e empírica é a Filosofia Primeira de Hobbes,
deixa claro que a linguagem serve para recordação das consequências de causas e
efeitos, com a imposição de nomes e da conexão entre eles. Também mostrar um
conhecimento ou obter ajuda.
Quando alguém raciocina, nada mais
faz do que conceber uma soma total, a partir da adição de parcelas, ou conceber
um resto a partir da subtração de uma soma por outra; o que (se for feito com
palavras) é conceber da consequência dos nomes de todas as partes para o nome
da totalidade, ou dos nomes da totalidade e de uma parte, para o nome da outra
parte.
(Hobbes, 2005, V, p.51)
Causa para
Hobbes é a causa total, conhecer o esforço e causas do movimento humano: 1-
agente 2- paciente = 3- efeito. Sem fundamentações a partir de agentes
invisíveis.
Segundo Hobbes, o ponto de partida
da ação humana e, consequentemente da ação moral e política é o conato
(Conatus), ou seja, o esforço ou empenho. Nos elementos de Lei Natural e
Política, Hobbes explica, que consiste no prazer e no desgosto, é uma solicitação
ou provocação para se aproximar do que agrada ou para se retirar do que
desagrada; e essa solicitação é o esforço ou começo interno do movimento
animal.
(Hobbes, 1997, p.12)
Muita
experiência é prudência, muita ciência é sapiência, a ciência é infalível. Sensação
é apenas movimento, prazer como aparência ou sensação de bem, e desprazer
sensação de mal.
É evidente
que a Filosofia não tem necessidade dessas palavras entidade e essência (quididade).
A sensação é o movimento provocado
nos órgãos e nas partes inferiores do corpo do homem pela ação das coisas que
vemos, ouvimos etc. E a imaginação é apenas o resíduo do mesmo movimento, que
permanece depois da sensação, conforme já se disse no primeiro e segundo
capítulo.
(Hobbes, 1997, VI, p.57)
Para ter ciência de um efeito deve-se conhecer as causas,
quantas são, de que modo fazem e em qual sujeito produz o efeito, pois a
Filosofia é a ciência das causas e todo outro conhecimento é sensação, memoria
ou imaginação.
(Hobbes, 2009, VI, p131) “O
método para Filosofar consiste, portanto, em investigar da maneira mais breve
possível os efeitos pelas causas conhecidas ou as causas pelos efeitos
conhecidos.”
BIBLIOGRAFIA:
HOBBES,
Thomas, Sobre o Corpo, Departamento de Filosofia IFCH-Unicamp. Campinas, 2005.
HOBBES, Thomas,
Os pensadores, Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e
Civil. Nova Cultural, São Paulo, 1997.
HOBBES, Thomas,
Do Corpo, Editora UNICAMP, ED. Latim e português, Campinas, 2009
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